Transferência de Blogue
0 comentários Published by Tiago Tavares on segunda-feira, 11 de Agosto de 2008 em 17:38Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Especulação de Ilusões
0 comentários Published by Tiago Tavares on sábado, 28 de Junho de 2008 em 14:07Durante esta semana a imprensa nacional deu destaque especial sobre a subida do preço dos combustíveis fosseis. Mas como os argumentos convencionais, relacionados com escassez de produção e excesso de procura, já se encontram desgastados têm de surgir novas justificações suficientemente atractivas para que o interesse nesses jornais não desvaneça. Eis um exemplo de um especialista na matéria - Luís Rego do Diário Económico:
"Especuladores controlam 70% do preço do petróleo
A especulação parece estar a comandar a escalada de preços do petróleo. A fatia de mercado operada por especuladores, que ao contrário de outros, não têm interesse económico directo naquela matéria-prima, disparou de 37% em 2000 para 71% em Abril deste ano, revelou ontem a Comissão de Mercados de Futuros de Matérias-primas (CFTC) dos EUA."
Interpretando esta declaração à luz da ciência do Sr. Luís Rego podemos deduzir que se actualmente o preço do petróleo (NYMEX light) encontra-se a transaccionar a $140 então 70% desse preço é da inteira responsabilidade dos especuladores ou seja $98. Isto significa que se esses malditos especuladores fossem afastados do mercado o preço baixaria para $42. (o disparate parece ganhar proporções míticas na imprensa)
Podemos definir um especulador como aquele que entra num mercado somente para adquirir matéria prima com o intuito de a armazenar para posteriormente a vender a um preço superior e lucrar com a operação. Assim se tivermos informação sobre quais as elasticidades (variação percentual da quantidade procura ou oferecida quando o preço varia 1%) podemos determinar qual a quantidade de petróleo que esses gananciosos andam a guardar para enriquecer.
Vamos considerar o extremo e considerar que a oferta de petróleo é inelástica, ou seja, no curto prazo a produção encontra-se fixa como tal variações de preço não alteram a oferta. Se na procura considerarmos uma elasticidade bastante conservadora de -0.15 então podemos finalmente determinar a quantidade que está a ser armazenada. Após uns cálculos muito simples chegamos à conclusão de que 10.5% da oferta encontra-se a ser armazenada pelos especuladores ou o equivalente a 8.9 milhões de barris por dia. Vamos repetir 8.9 milhões de barris por dia que estão a ser retirados do mercado. Contabilizando a partir do início do ano teríamos qualquer coisa como 1000 milhões de barris armazenado um pouco por todo o mundo. Isso é muito petróleo para ser armazenado, especialmente quando os stocks de petróleo se encontram em níveis historicamente baixos:
Que conclusões podemos retirar daqui?? Anda muita gente iludida com esta história da especulação.
Mas vamos continuemos nesta viagem pelo mundo da análise à especulação que se faz em Portugal. No blogue bastante popular ladrões de bicicletas, João Rodrigues e Nuno Teles, também se analisa a especulação mas à luz da doutrina socialista. Ora vejamos o que se diz na oração:
"A actual subida dos preços alimentares tem causas diversas. Contudo, só a especulação parece poder explicar o crescimento exponencial dos preços num tão curto espaço de tempo. Esqueçam, no entanto, a clássica ideia do especulador a guardar cereais num armazém à espera de uma subida dos preços. Graças à liberalização financeira, qualquer um de nós pode converter-se num especulador através do mercado de futuros."
Amen!
Desta forma podemos inferir que na inexistência de mercado de futuros não existiria especuladores por implicação não existiria subida de preços. Mas será mesmo assim? Não é o que indica no preço de muitas mercadorias que não são transaccionadas em mercados organizados:

Sobre o mercado à vista e a prazo no mercado de petróleo recomendo fortemente um artigo de Randy Waldman (apontado por Paul Krugman). Extremamente esclarecedor.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Mercado como Mecanismo de Justiça
3 comentários Published by Tiago Tavares on sexta-feira, 20 de Junho de 2008 em 8:56A rápida escalada do preço do petróleo nos últimos anos tem causado um sentimento de mal estar entre consumidores e empresas que, dependem desta mercadoria para realizarem as suas actividades. De facto nunca o preço real do petróleo (expurgando o efeito inflação) foi tão elevado como hoje em dia. A rapidez da subida do preço tem também sido impressionante. Se em 2002 o petróleo encontrava-se a ser transaccionado a $30, actualmente os valores situam-se acima dos $130.
Esta tendência do preço tem um impacto tremendo na vida dos consumidores - famílias e empresas. Para além de terem de suportar uma redução de bem-estar que anteriormente dispunham, estes agentes têm ainda de suportar custos elevados de alteração dos seus padrões de consumo. Uma situação que é agravada pela alteração repentina dos preços.
A evolução deste mercado é no entanto explicada por factores fundamentais que orientam qualquer mercado - oferta e procura. Se por um lado a procura aumentou mais do que o esperado, com o aumento da importância de economias emergentes (China, Índia, países da América Latina); por outro lado, a produção de petróleo congelou devido a um sub-investimento verificado em alguns países, depauperação de alguns importantes poços de petróleo, e desaparecimento de uma almofada de excesso de capacidade que caracterizava alguns países produtores. Significa que o rápido incremento da procura não obteve uma resposta prontificada por parte da oferta.
Esta situação pode ser convenientemente esquematizada com uma tesoura de Marshall.
...ou equivalentemente por:
Mas, contrariamente ao aumento das dificuldades por parte dos consumidores, os produtores de petróleo parecem ter ficado bem melhor com estes acontecimentos. Os principais países produtores apresentam receitas nunca antes vistas e as principais empresas de extracção de petróleo apresentam lucros de largos biliões de dólares. Sobre os países produtores não se poderá fazer muito já que estes estão soberanamente dotados desta matéria prima. Mas o lucro das empresas petrolíferas é uma aberração num mercado que funcione bem (no qual os lucros tendem para zero). Surgem naturalmente questões de elevada importância. Será que as empresas petrolíferas estarão a enriquecer à custa da desgraça dos consumidores? Será que o mercado está a ser justo para com os seus intervenientes?
Para responder a esta questão é necessário primeiro perceber quais as características que uma alocação de mercado produz. O mercado pode ser considerado como um mecanismo de distribuição de bens entre diversos agentes. Essa distribuição é feita (normalmente) de forma impessoal, igualitária, não discriminatória, eficaz, e eficiente. Quando, por exemplo, um consumidor adquire gasolina para o seu veículo, não precisa de saber se esse petróleo, que a constitui, foi produzido em países árabes ou cristãos, comunistas ou liberais, maioritariamente de negros ou brancos. De igual forma os países produtores não querem saber quem irá adquirir a mercadoria. Para além do mais há uma garantia que o petróleo será utilizada para quem realmente necessita dele já que num mercado livre existe um acordo entre as partes a um determinado preço. Há uma clara separação entre eficiência económica e visões políticas que poderiam comprometer a participação de alguns agentes no mercado. Todos aqueles que quiserem participar neste mercado são livres de o fazerem. Estas são todas características de um sistema justo de distribuição dos bens. Mas então e o lucro das empresas? Este não deveria ser mais baixo num sistema justo de mercado?
Seguramente que sim. Mas deve-se ter em consideração que a principal causa da subida de preços reside num aumento da procura (não antecipado) e não numa diminuição cartelizada da oferta. O lucro das empresas de extracção é explicado pela realização de contratos entre estas e governos soberanos quando o preço de petróleo se encontrava a menos de $30. O enorme valor desses lucros tenderá a desaparecer quando os contratos expirarem e estes tiverem de ser reformulados a novos preços. Adicionalmente são estes lucros que permitirão a realização de investimentos elevados que permitirão aumentar a oferta (que reduzirá os preços pagos pelos consumidores).
Mas por hipótese admitamos que os governos dos países consumidores de petróleo obrigavam a indústria a praticar preços que eliminassem os lucros elevados que detinham (por exemplo preços 40% mais baixos que os de mercado).
Utilizando outra vez a tesoura de Marshall para analisar a situação verificamos que, a preços "administrativamente" baixos, ainda que a quantidade oferecida de petróleo não variasse, a procura aumentaria gerando uma escassez de mercadoria para os consumidores. Nesta situação aquilo que se sucederia seria um racionamento do petróleo consumido (e seus derivados), ou seja, não haveria petróleo para as necessidades dos consumidores. Mas como se procederia neste caso à distribuição entre os consumidores de algo que não chega para todos? Que mecanismo utilizar para determinar quem ficaria com os seus planos de consumo satisfeitos e por satisfazer? Como determinar quem realmente necessita desta mercadoria escassa e que implica custos elevados de produção?
Um mecanismo possível seria distribuir aleatoriamente o petróleo e seus derivados pelos consumidores que, a um preço mais baixo, estariam dispostos a pagar. Poderiam surgir assim situações em que um consumidor localizado próximo do seu local de trabalho tivesse tido a sorte de ter recebido a possibilidade de consumir, podendo dirigir-se de automóvel para o seu local de trabalho; enquanto que outros consumidores mais necessitados de fazerem deslocações poderiam ver-se sem combustível para as suas deslocações. Poderia também acontecer que empresas transportadoras de mercadorias ficassem sem combustível ao mesmo tempo que empresas de transporte de recreio faziam descontos (por beneficiarem de preços excessivamente baixos). As distorções numa economia seriam incomportáveis.
De facto um mecanismo de distribuição desta matéria prima tão importante que não o mercado parece altamente inconcebível e bastante desaconselhável. Não só por argumentos de eficiência mas principalmente de justiça.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Frase do Dia contra o Comércio Internacional
6 comentários Published by Tiago Tavares on quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008 em 8:47Frase do dia por Barack Obama:
"It's a game where trade deals like NAFTA ship jobs overseas and force parents to compete with their teenagers to work for minimum wage at Wal-Mart."
No típico discurso ziguezagueante dos políticos, Barack Obama tece a sua crítica mais expressa sobre o comércio internacional. Um candidato com valores como a responsabilidade intelectual ou a consistência moral não empenharia tais crítica baseadas em argumentos vazios. Mas este tipo de discurso convém já que os próximos estados para as eleições à nomeação são o Wisconsin e o Ohio, que nos últimos anos têm visto um decréscimo no emprego na indústria manufactureira. Mas atenção! Essa perda de postos de trabalho não está a ser originada principalmente pelo comércio mas pela alteração tecnológica que substitui progressivamente mais trabalho da indústria para os serviços. Será que Obama não quer também terminar com o progresso tecnológico?
O que é certo é que depois destas declarações Barack vai perder o apoio de muitos economistas.
(Lawrence Summers fala sobre a NAFTA - via gregmankiw.blogspot.com)
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: comércio livre, EUA, Política
O Mercado das Previsões. Eleições Americanas
0 comentários Published by Tiago Tavares on terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 em 13:37Qual é a previsão de mercado para o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas? Utilizando as probabilidades de apostas transaccionadas em mercados organizados, é possível obter uma probabilidade das expectativas dos agentes sobre o resultado final.
Deve-se ter em atenção que o objectivo de uma aposta é ganhar dinheiro pelo que as probabilidades transaccionadas não se baseiam nas preferências num determinado candidato dos apostadores mas nas suas expectativas do vencedor final. Essas expectativas serão formadas com base em toda a informação disponível ao público e deve englobar:
- sondagens;
- despesas na campanha;
- debates;
- tendências recentes nas eleições estaduais;
- outros factores relevantes para os agentes.
Com margens de lucro pequenas para a casa de apostas, o Intrade é um caso exemplar de como o mercado pode formar expectativas sobre o resultado final nas eleições americanas. As últimas (depois das eleições de sábado) transacções destas apostas revelam que:
- a probabilidade esperada de Obama ganhar a nomeação pelos democratas - 70%
- a probabilidade esperada de Clinton ganhar a nomeação pelos democratas - 30%
- a probabilidade esperada de McCain ser o próximo presidente dos EUA - 33%
Isto significa que neste momento a Hillary Clinton tem uma probabilidade esperada menor de ganhar as eleições (20%) que John McCain. Barack Obama lidera claramente as expectativas dos agentes para o novo Presidente dos EUA.
Deixo os gráficos das cotações das probabilidades no último ano. A tendência tem sido interessante...e inesperada. Isto revela bem as dificuldades dos agentes em formar boas expectativas sobre o futuro portanto talvez seja melhor deixar a futurologia para os tarólogos e astrólogos.


Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Que Estimulo Fiscal Para Portugal?
0 comentários Published by Tiago Tavares on quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008 em 9:23No âmbito da actual conjuntura adversa internacional o abrandamento económico tem sido um dos temas de discussão no seio da imprensa económica nacional. Em particular, existem riscos de que uma eventual recessão das principais economias mundiais contamine o crescimento português, que tem sido recentemente sustentado pelo crescimento das exportações. Isto significa que no caso de parceiros comerciais importantes para Portugal, tais como Espanha, EUA ou Alemanha abrandarem o seu crescimento, haverá repercussões para o crescimento doméstico.
Neste quadro têm surgido opiniões, de que na ocorrência de um abrandamento económico o governo deveria intervir prontamente, reduzindo impostos para estimular a procura nacional, mitigando assim uma eventual queda (ainda mais acentuada!) do emprego e do produto. No Jornal de Negócios na última sexta-feira (2-2-2008) um economista defendia mesmo que o governo deveria enviar a todos os contribuintes um cheque chorudo de rebatimento fiscal para estimular a economia Hoje (7-2-2008) Catroga defende que se necessário o pagamento de IRC deveria ser suspendido. Estes argumentos derivam de uma interpretação altamente ortodoxa do keynesianismo. Nesta corrente a interpretação económica e feita apenas com base nos agregados económicos tais como produto, emprego, despesa pública e carga fiscal. São assumidas relações causais entre esses agregados em que, por exemplo, uma redução da carga fiscal implica automaticamente um acréscimo da despesa interna e uma resposta da produção. Este tipo de interpretações ainda que populares entre alguns economistas está completamente ultrapassada. Não tem como fundamento a unidade de análise microeconómica. A economia não é constituída por agregados mas sim por agentes económicos. A análise de política económica deve desviar-se dessa análise agregada e centrar-se nas preferências ou restrições que consumidores e empresas enfrentam.
Nesta ordem de ideias qual seria o resultado mais provável de uma redução de impostos no actual contexto nacional? Será que fruto desta política resultaria uma expansão do PIB? É pouco provável. Vejamos qual o impacto provável de tais políticas nos agentes económicos.
É um facto que a situação actual das famílias portuguesas é de forte endividamento. Para além do mais a taxa de desemprego crescente e alguma inércia no processo de reestruturação do mercado de trabalho, não promete dias promissórios para as famílias portuguesas. Neste contexto seria bastante provável que a redução da carga tributária ou o recebimento de um cheque fiscal fosse utilizado para amortizar dívidas contraídas no passado para assim reduzir os custos de serviço de dívida das famílias. Mesmo para aquelas famílias que felizmente não têm dívidas, estas dificilmente iriam aumentar as suas despesas nos centros comerciais na eminência de perda de emprego. Assim a propensão ao consumo do acréscimo do rendimento das famílias seria muito baixo neste contexto. Obviamente que estas não aumentariam as suas despesas. Basta pensar o que cada um de nós faría se recebesse no próximo ano mais 1000 euros. Pressupor o contrário é considerar que as famílias são irracionais. Mas não o são.
E as empresas? Teriam um comportamento diferente? No contexto actual julgo que não. Já que o crescimento nacional, e em particular o investimento empresarial, tem sido em grande parte sustentado por um aumento da procura externa, será de esperar que o investimento estará relacionado com a conjuntura internacional. Como nenhum choque fiscal que o governo português implemente terá efeitos sobre a procura externa, as empresas manterão as suas decisões de investimento inalteradas. Não é verosímil que com a procura externa a cair as empresas exportadoras desatem a comprar maquinaria para aumentar a sua capacidade de produção apenas porque receberam uma amnistia fiscal (e muito provavelmente temporária). Simplesmente não teriam mercado para vender o seu acréscimo de produção a preços admissíveis. Conclusão: também nas empresas o estímulo fiscal sairia gorado e o impacto do estímulo fiscal seria diminuto.
Estes argumentos, vazios de consistência intelectual, mas inchados de apoio popular, podem no entanto reflectir outros objectivos de política como a redução do peso do Estado na economia nacional. A política tem muitas vezes uma agenda dissimulada. A transparência é no entanto um dos lubrificantes da democracia. A discussão da redução do peso do Estado em Portugal deve ser clara, sensata e esclarecedora (um bom exemplo é este livro de Miguel Cadilhe).
Mas não. Isto não significa que o governo deva permanecer impotente perante uma potencial recessão conjectural da economia nacional. Deve no entanto ter consciência das decisões dos agentes económica e formular políticas que nesse contexto produzam os efeitos desejáveis. O aumento do investimento público pode ser uma solução. Por um lado há um efeito positivo de curto prazo no emprego com a contratação das empresas que produzam os bens de capital. Por outro o apetrechamento nacional de infra-estruturas necessárias ao desenvolvimento empresarial constituiria um efeito positivo num prazo mais alargado.
Deixo aqui alguns gráficos com os resultados do último ano em que houve uma redução da carga fiscal em Portugal. Esses resultados parecem ter sido muito ligeiros e o estímulo económico não parece ser evidente, apesar de no mesmo ano o crescimento da despesa pública tenha se mantido elevada (embora não a parte do investimento público).
(clicar na imagem para ampliar)
(fonte: Banco de Portugal)
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Economia, Política Económica, Política Fiscal
Análise à Economia Americana
0 comentários Published by Tiago Tavares on domingo, 27 de Janeiro de 2008 em 14:47Na ultima semana foram bastante noticiadas as políticas económicas que têm sido implementadas nos EUA, face ao recente abrandamento da actividade económica. A diligência tem sido notável na implementação da política monetária mas ainda mais nas decisões de política fiscal. No entanto uma rápida e extensiva utilização de tais instrumentos políticos pode ter mais custos que benefícios. Para além do mais é aconselhável cautela na utilização simultânea de diferentes políticas de estímulo económico. Mas determine-se primeiro quais as razões e se há razões para a necessidade de tais estímulos.
No último trimestre de 2007 observou-se um claro abrandamento do crescimento do PIB da economia dos EUA. Dum crescimento acima do potencial no 3º trimestre de quase 3%, passa para um moderado crescimento (valores esperados e ainda não confirmados) entre 1.5% e 2% abaixo do seu potencial. 




Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Estímulo Fiscal nos EUA
0 comentários Published by Tiago Tavares on sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008 em 8:50Em tempo recorde é aprovado um novo estímulo fiscal da governação Bush para moderar riscos de recessão nos EUA. São mais de 150 biliões de USD que vão direitinho para o bolso dos contribuintes norte-americanos em cheques de abatimento fiscal a partir de Maio (notável!). Será que esta forma de estímulo terá algum impacto na economia (procura agregada)? Duvido que grande parte desse montante chegue a sair do bolso das famílias e que estas iniciem uma espiral de consumo ainda atordoadas por um choque fiscal. Este é de facto a opinião entre a maioria dos economistas que estudaram este tema no passado (opiniões não técnicas aqui e aqui). Ficam aqui as notícias:
Na Bloomberg:"Jan. 24 (Bloomberg) -- The Bush administration and House lawmakers announced agreement on an economic stimulus package that would distribute rebate checks to 117 million families and give businesses incentives to invest in equipment."
No finance.yahoo:"Few public developments were expected Friday as lawmakers digest Thursday's announcement of a hard-won agreement between House Speaker Nancy Pelosi, Republican leader John Boehner and Treasury Secretary Henry Paulson that would pump about $150 billion into the economy this year and perhaps stave off the first recession since 2001."
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Ser Enganado Pelos Números. A Saúde nos EUA
0 comentários Published by Tiago Tavares on sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008 em 14:21Recentemente surgiu um estudo comparativo da eficácia de sistemas de saúde a nível internacional, atribuindo paradoxalmente uma péssima classificação ao sistema de saúde norte-americano, o país que mais gasta em saúde por pessoa (USD 6000 por ano). As conclusões do estudo baseiam-se na medição de mortes evitáveis por devidos cuidados médicos. Uma leitura desse estudo permitiria concluir imediatamente a irrelevância empírica desse estudo. No entanto muitas pessoas tomaram como válidos os seus resultados. Um bom exemplo de como se pode ser enganado pelos números.
A pedido numa discussão noutro blog faço aqui um esclarecimento que justifique a validade nula desse pretenso estudo de Mckee e Nolte. Tenho de o fazer uma vez que ninguém que se possa considerar economista leu o estudo (o acesso é pago), pois essa leitura eliminaria qualquer inferência que se poderia fazer do mesmo. Com negligência comparável vários artigos sugeriram, ou que as elevadas somas monetárias aplicadas no sistema de saúde norte-americano, entre contribuições privadas e públicas, teria uma eficiência miserável (The Economist), ou que o capitalismo é uma farsa (substituam-no pela Gulag) com “resultados desastrosos na área da saúde” (Ladrões de Bicicletas). Noto no entanto a diferença de estilos entre os dois artigos referidos: no primeiro o suposto estudo levanta questões; no último justifica conclusões (este é um óptimo exemplo de uma preposição ad-hoc).
O estudo intitulado “Measuring the Health of Nations” contém inúmeras falhas que inviabiliza as conclusões que os autores desejam retirar, sintetizada nos seguintes 2 gráficos.
Em primeiro lugar convém referir aquilo que os autores entendem como “mortes evitáveis”. Estes consideraram que mortes evitáveis são todas aquelas derivadas de um conjunto de doenças ou acontecimentos arbitrariamente definidos e sem um critério muito específico:
- Ischemic Heart Disease (IHD);
- Outras doenças circulatórias;
- Neoplasms (alguns cancros);
- Diabetes;
- Doenças respiratórias;
- Condições cirúrgicas erros médico;
- Doenças infecciosas;
- Perinatal, congenital, and maternal conditions;
- Outras (número muito pequeno);
Isto significa que, por exemplo, uma morte de ataque cardíaco entra nas estatísticas produzidas como “morte evitável” por efectivos cuidados médicos. A única coisa que o estudo compara é o rácio de todas as mortes deste conjunto de causas em relação à população total para dois momentos distintos do tempo. O estudo não tem em consideração as condições particulares das mortes e qual a parte das mortes imputáveis à falta de cuidados de saúde e qual a parte devido a outros factores. Sublinho que o estudo apresenta como evitáveis todas as mortes de causas acima referidas.
Apresentando de seguida a desagregação dos resultados pelos autores retiram-se as seguintes conclusões.
Na primeira tabela constata-se que os países da costa mediterrânica apresentam um número médio de mortes por doenças cardíacas (IDH) na população masculina mais baixo que os restantes países. A segunda tabela mostra a desagregação dos resultados por doenças para alguns países. Em 2003 observa-se que a taxa de mortalidade evitável para França é 51 pontos inferior à dos EUA. Desses 51 pontos, 40 pontos é explicado pela diferença nas taxas de mortalidade relativamente a doenças cardíacas, circulatórias e diabetes. Ora está totalmente comprovado que a taxa de mortalidade dessas doenças está relacionado com os hábitos alimentares e estilos de vida. Países como os EUA, com maus hábitos alimentares, têm índices de incidência destas doenças muito superior a países como a França com melhores hábitos alimentares (devido à dieta mediterrânica mais saudável), e como tal têm um automaticamente um número superior de mortes devido a estas doenças. Tal não significa que o sistema de saúde de Países como os EUA é necessariamente inferior. Este estudo não toma em consideração estas diferenças de hábitos alimentares ou estilo de vida na eficácia do sistema de saúde. Para avaliar essa eficácia o denominador da taxa de mortalidade deveria ser a incidência da doença e não a população total como foi utilizado. Com este argumento qualquer ilação sobre a qualidade dos sistemas de saúde neste estudo fica totalmente inviabilizada.
Mas o facto mais ridículo do estudo é o cálculo das mortes por doenças cardíacas (IDH). Conscientes do argumento utilizado anteriormente (de que factores ambientais influenciam as taxas de mortalidade, independentemente do sistema de saúde), os autores tentam corrigir a medição das mortes por IDH. Para isso baseiam-se num estudo anterior feito para a Nova Zelândia que determina que nesse país 50% das mortes podem ser atribuídas a factores ambientais e 50% a factores relacionados com factores relacionados com o sistema de saúde. Como tal decidem multiplicar por 50% as taxas de mortalidade de IDH para todos os países para eliminar o impacto dos factores ambientais. RIDÍCULO. Se os factores ambientais são específicos para cada país não se pode simplesmente multiplicar o mesmo factor implícito da Nova Zelândia para todos os outros países. Hipoteticamente os EUA devem ter uma percentagem de mortes de IDH atribuíveis a factores ambientais de 70% e a França de 30%. A falta de conhecimento estatístico implicou a inclusão deste erro grosseiro. RIDÍCULO. Toda e qualquer conclusão dum estudo assim não poderá ter qualquer validade.
As mortes por doenças que menos estarão relacionadas com factores ambientais e mais com cuidados médicos da 2ª tabela será cancro que terá uma relação muito directa com factores hereditários. Ora neste campo (comparável) a América é o país que melhores resultados têm, o que poderá ser atribuído a factores médicos e do seu sistema de saúde.
Faço ainda uma chamada de atenção para potenciais erros de medição nos erros cirúrgicos que deverá variar entre diversos países. Para além do mais os EUA terão uma maior taxa mortalidade atribuível a erros cirúrgicos pois também têm um maior número de intervenções cirúrgicas por pessoa.
Para os mais interessados aconselho a visita às hiperligações e Falácias seguintes:
Hiperligações:
Falácias típicas sobre a saúde nos EUA
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Saúde; Estatísticas; EUA
Novo Membro na Zona do Euro
0 comentários Published by Tiago Tavares on quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008 em 11:15Será que o clube do euro vai ganhar a Islândia como um novo país a adoptar o Euro como moeda. Redução de custos de transacção entre a Islândia e os países do Euro parece ser a justificação (pode ser que também ajude na inflação da área do Euro). Fica aqui a notícia na Reuters.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Euro
Debate Económico Sobre Política Orçamental
1 comentários Published by Tiago Tavares on quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008 em 10:29O debate sobre política contra-cíclica orçamental começa a ganhar forma entre economistas norte-americanos, na cada vez maior eminência de recessão (inquérito a economistas aqui).
No blog do Greg Mankiw a discussão situa-se num instrumento, que por aqui não se ouve falar mas nos EUA têm uma grande importância. Esse instrumento são senhas de consumo de alimentos e estas são atribuídas em maior quantidade em alturas de recessão, aliviando o orçamento das famílias mais pobres, permitindo um maior consumo noutros bens que serão produzidos por empresas domésticas reduzindo deste modo a espiral de recessão. Jason Fruman avança com a argumentação:
"The Congressional Budget Office menu is responsive to the question policymakers from both parties are asking today: if we want to increase aggregate demand in the short run, what is the best way to do it. And a temporary increase in food stamps is, appropriately, high up on this list. Food Stamp administrators could simply press a button and everyone’s electronic debit cards would have, say, an additional 20 percent more money starting almost immediately and ending whenever policymakers want. Plus as Marty Feldstein explained:“Food stamps strikes me as a pure cash transfer to people with a high propensity to spend and people who would not benefit from a tax cut.” Tax rebates are administratively more difficult and have somewhat lower bang-for-the-buck, but have the big benefit of being scalable to the size policymakers desire – which is why Doug Elmendorf and I recently included them in our list of more effective stimulus options."
Ao que Mankiw responde:
"Marty Feldstein may well be right that those on food stamps have a higher-than-average marginal propensity to consume. Nonetheless, I wonder if we really want to target such cyclical measures on the poorest members of society. That is, for any mean level of food stamps, wouldn't the poor be better off with a constant stream of benefits than with a benefit that fluctuates over the business cycle? Using food stamps as a cyclical tool seems to risk destabilizing some families' food consumption in an attempt to stabilize the overall business cycle.
If we are going to use fiscal policy to smooth out the business cycle on a regular basis, then we should think harder about improving the economy's automatic stabilizers. For example, imagine we enacted an investment tax credit, the size of which was a function of the unemployment rate. Firms would have an incentive to time their investment projects toward those periods when the economy was weakest and most needed a shot in the arm.
I can more easily imagine, when the economy starts to overheat, telling corporations that their investment credit has shrunk or disappeared than telling poor families that their food budget has been cut."
O debate sobre política económica está vivo e de boa saúde. O mais impressionante é que os EUA ainda nem estão em recessão. Um exercício de maturidade na política económica séria e desinibida e um óptimo exemplo para Portugal.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Debate, EUA, Política Fiscal
Cérebros Flutuantes no Cosmos e...Política Fiscal
0 comentários Published by Tiago Tavares on terça-feira, 15 de Janeiro de 2008 em 23:50Este artigo apresenta alguns temas de discussão actual na astrofísica...Nunca mais vou encarar a ciência económica como controversa ou irrealista. Um pequeno excerto do artigo do New York Times:
"“In the end, inflation saves us from Boltzmann’s brain,” Dr. Albrecht said, while admitting that the calculations were contentious. Indeed, the “invasion of Boltzmann brains,” as Dr. Linde once referred to it, was just beginning.
In an interview Dr. Linde described these brains as a form of reincarnation. Over the course of eternity, he said, anything is possible. After some Big Bang in the far future, he said, “it’s possible that you yourself will re-emerge. Eventually you will appear with your table and your computer.”
But it’s more likely, he went on, that you will be reincarnated as an isolated brain, without the baggage of stars and galaxies. In terms of probability, he said, “It’s cheaper.”"
Terminada a viagem celeste, Menzie Chinn analisa vários instrumentos de política fiscal, com especial enfase nos estabilizadores automáticos, no seguinte artigo.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Ciência, Política Fiscal
Desigualdades Salariais em Diferentes Países
1 comentários Published by Tiago Tavares on sábado, 12 de Janeiro de 2008 em 14:06O crescimento das desigualdades salariais é uma preocupante tendência das últimas décadas. Sobre esta muitas explicações têm sido dadas, sendo as mais comuns as relativas ao crescimento do comércio internacional, perda de poder dos sindicatos, aumento da imigração, desregulamentação económica, liberalização laboral e inovações tecnológicas. Este artigo vai-se cingir nesta explicação, que na minha opinião é a mais importante. Independentemente da explicação das causas, face a crescentes preocupações, Governos de diferentes países tomaram diferentes medidas, com diferentes resultados.
Num outro blog (ladroesdebicicletas.blogspot.com) João Rodrigues refere, com pesar, as consequências negativas do aumento das desigualdades salariais para a França. (a minha resposta pode ser consultada nesta hiperligação). É ainda referido a experiência diferente doutros países tais como a Dinamarca e a Suécia. No entanto para perceber as diferentes experiências convém perceber a origem da fonte dessas desigualdades.
O aumento das desigualdades salariais é tradicionalmente explicado entre economistas pelo crescimento enviesado da produtividade para os trabalhadores qualificados em relação aos desqualificados nas últimas décadas. Este facto deriva de uma rápida implementação tecnológica nos anos 80 e inicio de 90, materializada no aumento da utilização de computadores e serviços de informação que beneficiou principalmente a produtividade dos trabalhadores mais qualificados (pense-se no impacto para as dactilógrafas). Para manter o rácio emprego desqualificado e qualificado constante torna-se evidente que os custos para as empresas do trabalho têm de aumentar para os trabalhadores qualificados em relação aos desqualificados. A solução de mercado é o aumento das diferenças salariais de trabalhadores qualificados para trabalhadores desqualificados, que desincentiva as empresas a contratar apenas trabalho qualificado (mais caro). Assim a quantidade de emprego procurado pelas empresas de trabalho não qualificado e qualificado mantém-se constante, à custa do aumento das desigualdades salariais.
Os EUA, Reino Unido e Coreia do Sul são bons exemplos de países que deixaram esta tendência a cargo do mercado, com níveis de desigualdades salariais muito elevados (e tributações salariais muito baixas). Para diminuir a importância desta solução de mercado a França aplicou medidas de tributação nos empregos mais qualificados em relação aos menos qualificados (tributação altamente progressiva) tendo desigualdades salariais abaixo da média da OECD, na linha da Dinamarca. (dados consultáveis no Employment Outlook 2007 da OECD)

No entanto uma solução alternativa consiste em diminuir a quantidade de trabalho desqualificado através da requalificação dos trabalhadores para que a diferença de produtividade entre estes dois tipos de trabalhadores diminuía. É claro que esta solução gerará um desemprego elevado, embora de carácter temporário. Esta foi a solução seguida pela Suécia e os resultados saltam à vista com desigualdade salariais mais baixas do mundo. O custo de tal resultado foi o disparo do desemprego nos anos 90 de valores de ~2% para ~10%. Na minha opinião o benefício superou o custo. (o principal indicador utilizado foi o rácio de rendimento salarial do 5º decil para o 1º calculados numa base normalizada pela OECD).
Numa altura em que o desemprego em Portugal parece crescer dia após dia, mesmo em condições económicas de crescimento que o tornariam improvável, espera-se que este seja fugaz mas incisivo. Incisivo na reestruturação económica para voltar a valores aceitáveis. Mas acima de tudo, incisivo na reestruturação de qualificações para reduzir as elevadas desigualdades salariais (sem desincentivar o crescimento).
Aconselho a consulta das seguintes hiperligações para este artigo para os mais interessados:
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Libertinismo, Austríacos e Eleições Americanas
2 comentários Published by Tiago Tavares on quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008 em 11:41Num artigo recente, Horwitz critica a campanha de Ron Paul e aproxima a ideologia libertina desse candidato à corrente económica austríaca. Boettke responde prontamente com um elucidativo artigo.
Ficam aqui algumas passagens:"(...)But why would the world of politics ever permit that reading?! Politics is not about 'truth tracking', it is about power seeking.(...)"
"(...)The role of the economist, properly understood, is that of a (1) Teacher of the principles of a discipline [e.g., specialization and exchange; demand curves slope downward; people respond to incentives; dispersed knowledge is coordinated through the price system, etc.], (2) Student fo society [e.g., technical scientist working hard to identify the filter processes and equilibrium tendencies in operation in economic systems; historical scholarship on the processes of social change, etc.], and (3) Social Critic who uses the tools of the discipline of economics to place parameters on notions of utopia [e.g., means-ends analysis of proposed public policies, etc.].
All 3 roles, as Henry Simons put it, allow economics as a discipline to serve as a prophylactic against popular fallacies. When economists loose sight of their role in society and attempt to push the discipline into a tool for advocacy, the prophylactic function can become compromised and societies may become pregnant with fallacies to their deteriment. Socialism and fascism are two such instances, but I would argue that even the more mild attempts at constructivist social engineering exhibit these tendencies, e.g., Keynesian inspired foreign aid programs in Africa. You cannot be a little bit pregnant! Bad ideas lead to bad public policies which result in bad results.(...)"
"(...)Second, to point out what role the economist plays in society (Teacher, Student, Social Critic). Economics per se does not lend itself to advocacy of this or that policy, it does provide wisdom on the spontaneous ordering of society, and technical knowledge on means-ends efficiency. Economics must be combined with some moral sentiments (themselves up for debate) to be transformed into advocacy. But the discipline independent of moral assessment provides us with knowledge that places parameters on people's utopia. Wishing it so doesn't make it so, and economics tells us why. So much of political campaigning is about selling wishful thinking to a population that doesn't know any better. Economics has not only a role to play, but a unique and powerful role in serving as the prophylactic against public fallacies. We need to defend the structural integrity of that prophylactic so it can do its job! (...)"
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Debate, Pensamento Económico, Política
Microcrédito - Endividamento ou Poupança?
0 comentários Published by Tiago Tavares on quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008 em 9:28Karol Boudreaux e Tyler Cowen analisam programas de microcrédito e chegam à conclusão que em países realmente pobres o pequeno crédito cedido por instituições de microcrédito (em alternativa a agiotas), aplicado para consumo (e não para criar novos empreendedores), pode ser uma forma eficiente de aumentar a poupança nesses países. Fica aqui o argumetento:
"Sometimes microcredit leads to more savings rather than more debt. That sounds paradoxical, but borrowing in one asset can be a path toward (more efficient) saving in other assets.
To better understand this puzzle, we must set aside some of our preconceptions about how saving operates in poor countries, most of all in rural areas. Westerners typically save in the form of money or money-denominated assets such as stocks and bonds. But in poor communities, money is often an ineffective medium for savings; if you want to know how much net saving is going on, don’t look at money. Banks may be a daylong bus ride away or may be plagued, as in Ghana, by fraud. A cash hoard kept at home can be lost, stolen, taken by the taxman, damaged by floods, or even eaten by rats. It creates other kinds of problems as well. Needy friends and relatives knock on the door and ask for aid. In small communities it is often very hard, even impossible, to say no, especially if you have the cash on hand.
People who have even extremely modest wealth are also asked to perform more community service, or to pay more to finance community rituals and festivals. In rural Guerrero State, in Mexico, for example, one of us (Cowen) found that most people who saved cash did not manage to hold on to it for more than a few weeks or even days. A dollar saved translates into perhaps a quarter of that wealth kept. It is as if cash savings faces an implicit “tax rate” of 75 percent.
Under these kinds of conditions, a cow (or a goat or pig) is a much better medium for saving. It is sturdier than paper money. Friends and relatives can’t ask for small pieces of it. If you own a cow, it yields milk, it can plow the fields, it produces dung that can be used as fuel or fertilizer, and in a pinch it can be slaughtered and turned into saleable meat or simply eaten. With a small loan, people in rural areas can buy that cow and use cash that might otherwise be diverted to less useful purposes to pay back the microcredit institution. So even when microcredit looks like indebtedness, savings are going up rather than down."
O restante artigo pode ser consultado aqui.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Microcrédito, Pobreza
Ruptura de Paradigmas - Imperfect Knowledge Economics
0 comentários Published by Tiago Tavares on segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008 em 10:05"Imperfect Knowledge Economics" tem sido o livro controverso do momento no seio da ciência económica. A pretensão deste texto é nada mais que destruir a ortodoxia actual da ciência económica, na mesma tradição com que Smith arrasou com os mercantilistas, Menger com os clássicos, Keynes com os austríacos e Lucas com os keynesianos. Frydman e Goldberg pretendem tornar os economistas neoclássicos numa espécie em vias de extinção.
Este livro crítica fortemente o paradigma actual da ciência económica que se baseia na teoria das expectativas racionais. Esta teoria assume que as expectativas dos agentes económicos sobre o futuro estão em média correctas, ou seja as suas previsões sobre o futuro são na média não enviesadas. Através de modelos económicos, torna-se "teoricamente" possível fazer previsões mecânicas do comportamento racional. Ao proceder desta maneira os modelos retiram das suas equações a inovação, o empreendedorismo e a criatividade dos agentes económicos. A teoria não admite desequilíbrios e o equilíbrio pode ser sempre calculado matematicamente. Levanta-se a questão natural que se for possível replicar as alocações de mercado através de modelos matemáticos, o mercado como instituição deixa de ter qualquer interesse na determinação dos preços (de facto esta lógica foi aplicada recentemente na utilização de modelos matemáticos pelas agencias de rating para determinar o risco e preço de certos produtos estruturados).
A conceito fundamental da argumentação de Frydman e Godberg é incerteza. Essa incerteza não pode ser modelada pois não se pode calcular de forma exacta o impacto decisões que vão afectar o futuro, simplesmente porque a base desse cálculo ainda não existe. Um agente económico racional estará ciente desta incerteza sistémica e como tal não terá "expectativas racionais". O melhor que este tem a fazer é basear a sua decisão em regularidades qualitativas e padrões históricos. A experiência é extremamente relevante para a intuição dos empreendedores. Esta tese dá um novo fôlego à importância dada por Keynes e Hayek à decisão individual e ao seu contributo social.
As críticas recentes da imprensa económica como o The Economist e o Financial Times têm sido até agora favoráveis. No entanto estas ideias ainda não foram debatidas com profundidade na comunidade académica. Existe sempre algum receio (custo de oportunidade do tempo perdido) de novos investigadores se debruçarem sobre temas que possam gerar ruptura. Para já, entre alguns economistas reputados, existe uma opinião favorável deste livro nomeadamente Kenneth Arrow e Edmund Phelps. Este último assina o prefácio desta tese consultável aqui. Comentários inspiradores do próprio Frydman sobre o livro (em que este convincentemente afirma que Bob Lucas errou) podem ser ouvidos neste podcast.
Este é um livro que ainda não tive oportunidade de ler. No entanto as expectativas geradas em seu torno são elevadas. Esperam-se novos comentários futuros para este blog.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Debate, Livros, Pensamento Económico
Estará realmente o mundo embriagado de Dólares?
0 comentários Published by Tiago Tavares on sábado, 5 de Janeiro de 2008 em 14:19Nos últimos anos certos países do mundo têm acumulado reservas surpreendentemente avultadas em activos norte-americanos. De facto estima-se que actualmente os EUA tenham um passivo face ao exterior avaliado em mais de 16 triliões de dólares, representando este número uma duplicação do passivo norte-americano em 1999. É certo que muita dessa acumulação de activos deve-se em grande parte à politica de certos países em indexar as suas divisas ao dólar americano. A título de exemplo refira-se os cerca de 3 triliões de dólares em títulos negociáveis americanos detidos pelos países do Leste Asiático sob a forma de reservas oficiais (refira-se que a política de aquisição de dólares por parte do Japão no início da década actual não teve como objectivo a indexação do iene ao dólar mas a introdução de liquidez no seu mercado entorpecido – sobre esta questão veja-se esta excelente palestra de John Taylor). Pela sua dimensão e pelo crescimento rápido, estes números têm sido frequentemente comentados e têm surgido algumas vozes de preocupação por parte de decisores políticos nos EUA. Mas será que existem motivos fortes para preocupação? Estará o mundo tão embriagado de dólares que se tema que a ressaca será ainda pior? Uma correcta avaliação de todos os factos e hipóteses económicas envolvidas poderá clarificar melhor esta questão.
Quando estes números são apresentados, raramente se refere que não são apenas os fluxos de capitais para os EUA do restante mundo que estão a aumentar (sob a forma de disponibilidades do resto do mundo para os EUA), mas que também os fluxos dos EUA para o resto do mundo se encontram a crescer rapidamente. O valor líquido dessa diferença será representado pelo saldo da balança corrente. Esse agregado têm registado défices crescentes nos últimos anos (representando actualmente cerca de 5% do PIB americano).
A grande questão que se coloca é saber se os EUA conseguirão financiar este défice nuns termos tão favoráveis como tem tido até agora. Ou de outra maneira, se os investidores do resto do mundo estarão dispostos a aceitar taxas de retorno tão baixas pelo capital que emprestam aos EUA (por exemplo nas obrigações do tesouro) ou preço de activos tão elevados (das taxas de câmbio).
No entanto, o valor do défice da balança corrente americana e dos fluxos de capitais para os EUA podem estar a ser mal interpretados, se essa interpretação se traduzir na ideia de que as carteiras de investidores em todo o mundo estão a ficar perigosamente expostas a activos norte-americanos. Esta análise falha na avaliação do impacto da globalização financeira na circulação global de capitais. Para que os activos americanos estejam a ganhar importância na carteira dos investidores do restante mundo é necessário que o fluxo de capitais para os EUA seja mais rápido que o fluxo para os outros países, tendo em conta a dimensão do mercado de cada país.
Os investidores têm normalmente preferências de investimento nos seus próprios países ainda que posam retirar uma menor remuneração do seu capital. Isto acontece porque o conhecimento de outros factores do mercado que também influenciam os investimentos é mais profundo a nível local (informação como oportunidades de negócio e arranjos institucionais). Este fenómeno é conhecido pelos economistas como enviesamento doméstico e é caracterizado pelo facto dos investidores estarem demasiadamente expostos aos activos do seu próprio país. Um dos aspectos mais característicos da globalização financeira é o da redução deste enviesamento devido a alterações tecnológicas que facilitam a circulação da informação. Logo a redução desse enviesamento resultará num aumento do investimento para os países onde os mercados têm maior expressão, notavelmente os EUA. Atente-se no gráfico seguinte relativamente à tendência da parte da poupança total que é investida no exterior nos últimos anos.
Num recente artigo os economistas Higgins e Klitgaard calcularam valores teóricos para o investimento esperado caso os investidores diversificassem de forma óptima as suas carteiras (pelo menos no quadro dos modelos de racionalidade CAPM) e compararam com o investimento realmente efectuado nos últimos anos. Obviamente que no quadro teórico os maiores mercados (em capitalização) devem absorver uma quantidade igual à sua proporção na soma de todos os mercados (sendo que o mercado accionista americano representa 45% em capitalização do mercado de acções mundial, os EUA devem receber 45% de um investimento diversificado em acções). A tabela seguinte relaciona o investimento efectivo com o investimento neutro (teórico), em que valores muito superiores à unidade representam um sobre investimento.
Em estudos anteriores, Bertaut e Griever estudam o investimento internacional em títulos utilizando uma metodologia de estudo semelhante, mas comparando para diversos países (onde existiam dados disponíveis) o investimento em títulos norte-americanos e o investimento em títulos do restante mundo quando ponderados pela capitalização dos respectivos mercados. Os resultados apresentados, para além de confirmarem que os diversos países ainda apresentam um enviesamento doméstico considerável, mostra ainda que a maior parte dos países analisados apresenta uma exposição superior em activos de países que não os EUA do que em dólares. O gráfico seguinte mostra esses resultados com a maioria dos países abaixo da linha de 45º.
Os dados apresentados parecem então explicar que o rápido crescimento de fluxos de capitais para os EUA (financiando assim grandes défices comerciais) não é nada mais do que o reflexo da crescente globalização financeira, reflectida numa maior disponibilidade e confiança nos investidores em acederem a diferentes mercados para aplicarem os seus capitais.Esses investidores agindo no melhor do seu próprio interesse tenderão a fazer as suas aplicações em mercados com maior dimensão, melhores alternativas de escolhas, elevada liquidez, direitos defendidos por sistemas judiciais eficazes. Fruto de uma longa tradição na economia de mercado os EUA é a nação que mais apresenta mercados de capitais com essas características desejáveis.
No entanto a sobriedade é por si só uma virtude. Lentamente iremos assistir a uma redução de fluxos de capitais para os EUA, à medida que outras economias e os seus mercados financeiros se vão desenvolvendo. Essa redução de fluxos significará que os EUA não vão financiar o investimento elevado indefinidamente com condições tão favoráveis como aquelas que hoje tem. No entanto esse ajustamento será gradual e lento. Para bem do seu país e para bem do mundo esperemos que os EUA ajustem a sua economia por forma a depender menos do financiamento do exterior (ou através de maior poupança ou maior produtividade).
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: défice, economia internacional, EUA
Brisa do Oriente
2 comentários Published by Tiago Tavares on quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008 em 9:28No ímpeto de decidir, existe um risco de não se prever a completa abrangência do impacto da escolha que se faz. Em economia esse risco é particularmente importante, dada a natureza complexa das interacções que exibem as diferentes variáveis. Na sua última decisão de política económica, a China, parece esquecer-se que sob areias movediças, o bom senso aconselha a parcimónia dos movimentos. O risco é ficar atolado com os seus próprios actos. Claro que existe sempre o argumento que os responsáveis políticos estarão a fazer apenas política contra-cíclica, numa altura em que ela é necessária, dado a tendência de crescimento demasiadamente rápido (inflacionista) da economia Chinesa. No entanto uma valorização controlada do yuan serviria esse propósito e ainda melhoraria brutalmente as condições de todos os consumidores chineses, possibilitando o acesso destes ao consumo de bens mais baratos do exterior (é na realidade justo que seja a população a beneficiar de crescimentos explosivos de um país e não os cofres de algum banco central).
Com a escalada do preço dos alimentos a China termina o ano de 2007 com a decisão de tributar as exportações de alguns alimentos:Dec. 30 (Bloomberg) -- China, the world's biggest grain producer, will tax
exports of wheat, corn and rice to increase domestic supply and control rising
food prices. Exporters of wheat will start paying a 20 percent tax on Jan. 1,
while the tax for corn and rice was set at 5 percent, the Finance Ministry said
in a statement on its web site today.
Ora uma das principais premissas dadas como adquiridas em economia é que o comércio livre aumenta o bem-estar da população que beneficiar deste. Para além do comércio ser um exercício da liberdade de cada agente económico (esses agentes escolhem apenas o comércio se beneficiarem deste), pode-se argumentar que o comércio livre distribui o trabalho para as actividades onde esse trabalho é mais produtivo (argumentos que remontam ao séc. XVIII com Smith e Ricardo). Mas certamente que qualquer conselheiro político chinês já conhece este tipo de argumentos. Então o que pode justificar esta medida?
Dos modelos de economia internacional, o impacto de uma imposição de tributação sobre as exportações reflecte-se num desvio dessas exportações, que passam a ter de suportar uma taxa, para a economia doméstica. Este processo provoca uma redução dos preços domésticos, em relação aos preços mundiais. Caso a China não seja um importante produtor para o mercado mundial, pode-se esperar que o preço dos alimentos não suba para o mercado externo. Relativamente ao bem-estar, os consumidores beneficiam com a descida doméstica dos preços, mas os produtores perdem bastante mais com a mesma, já que para além de terem de vender a sua produção a um preço inferior têm ainda de pagar um imposto se ainda tiverem capacidade para exportar. Obviamente que o governo Chinês beneficia com a medida através de arrecadação fiscal, embora não tanto como aquilo que os agricultores perdem (no caso do país não ser muito importante para a produção internacional). Este modelo é normalmente esquematizado por gráficos padrão utilizados pelos economistas:
Segundo este simples modelo a China terá um prejuízo geral com a sua política económica. O ganho líquido da sua política seria positivo se a redução da oferta mundial de alimentos, provocasse uma subida elevada no preço mundial destes, permitindo que parte da tributação fosse suportada pelos importadores. Tal não se deverá verificar já que a China é um exportador líquido quase insignificante no mercado mundial como verificam os dados da FAO das Nações Unidas.
Terão de ser questões sociais que justifiquem esta política. É verdade que esta é uma política eficaz na redução dos preços que os consumidores chineses pagam pelos seus alimentos. Na lógica dos governantes, a redução dos preços aos consumidores reduzirá a instabilidade social de uma inflação galopante e aumentará as receitas do estado para futuras transferências sociais. Uma análise mais cuidada, e tendo em conta as implicações que esta política pode vir a ter em diversos níveis, ataca este tipo de argumentos em pelo menos dois aspectos:
Os excessos de fim de ano parecem não ter dado tréguas uma vez mais aos mesmos. A pobre população chinesa. Se é certo que muitas medidas dos governos chineses têm sido a correcta no sentido de aumentar a riqueza no seu país, é necessário não esquecer que de nada serve a riqueza se esta não for transmitida para as pessoas comuns. Num país com tradição de sabedoria milenar esta preocupação será a mais sábia para 2008.
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: China, comércio livre, economia internacional
Uma linguagem de Análise
1 comentários Published by Tiago Tavares on quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007 em 11:14Num influente artigo de 1970 George Akerlof (economista que mais tarde será laureado com o Prémio Nobel na Economia) abre novos horizontes para a interpretação da realidade sob o jugo da ciência económica.
Nesse artigo intitulado The Market for "Lemons": Quality Uncertainty and the Market Mechanism investiga sobre relações entre qualidade e informação e quais as suas implicações no funcionamento dos mercados. Akerlof procura demonstrar que a existência de diferentes qualidades de bens, associado à falta de informação dos compradores no mercado podem levar a uma diminuição de qualidade ou mesmo extinção deste. Para concretizar a suas ideias Akerlof usa como exemplo o mercado de carros usados nos Estados Unidos. Como os compradores nesse mercado desconhecem a verdadeira qualidade dos automóveis (que para os vendedores a qualidade é sempre óptima), vão valorizá-los por um valor médio, ou seja, os automóveis de boa qualidade serão subvalorizados e os de má qualidade sobrevalorizados. Obviamente que os vendedores de boa mercadoria tenderão a afastar-se deste mercado, já que os compradores apenas acreditam que aquilo que compram é de qualidade média, enquanto os vendedores com má mercadoria tenderão a ser atraídos para este mercado. Previsivelmente este mercado ficará inundado de má mercadoria, ou limões na gíria norte-americana, provocando uma contínua depressão desse mercado.
A ciência económica designa este processo por selecção adversa, em que as características menos desejáveis são seleccionadas e não descartadas dados os incentivos envolvidos. São nesses incentivos que os economistas muitas vezes se preocupam. No exemplo do mercado de automóveis usados, a utilização de uma intervenção que obrigue a um garantia prolongada pode mitigar o problema da selecção adversa (os economistas nem sempre são a favor do livre funcionamento do mercado).
O que se pretende frisar é a linguagem utilizada para compreender este fenómeno. Afastando-se de interpretações para o propósito específico (ad hoc), do género, “o mercado dos carros usados não funciona porque as pessoas não têm princípios” ou “na política são os maus que subsistem porque os bons não se interessam”, a ciência económica acrescenta uma justificação dos factos com base na racionalidade dos seus agentes e dos incentivos criados pelas instituições.
Com a mesma linguagem em que Akerlof analisa o mercado dos carros usados nos EUA, outros economistas analisam mercados como mercados de câmbios, acesso ao crédito em países subdesenvolvidos, mercados de seguros e até no blogging. No panorama doméstico o actual Presidente da República Aníbal Cavaco Silva usa essa mesma linguagem para comentar a actualidade política nacional em 2004 no seu famoso artigo Os políticos e a lei de Gresham.
É nesta longa tradição que este blog nasce. Toda e qualquer opinião que se emanará deste espaço terá um fundamento lógico e dedutivo. O instrumento utilizado será a linguagem económica. O público-alvo será aquele que se interessar. Espera-se reciprocidade para que este espaço ganhe estatuto de fórum de ideias.
Boas leituras e até um próximo artigo!
Publicada por Tiago Tavares Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Ciência Económica, Informação Assimétrica





